AUTOR

Vespeira

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  • Vespeira
Vespeira nasceu a nove de Setembro de 1925, no Samouco, pertencente ao concelho de Alcochete. Em 1937 inscreve-se na Escola de Artes Decorativas António Arroio, de artes aplicadas, onde concluiu o curso de habilitação às Escolas de Belas-Artes. Em 1942 matrícula-se no 1ºano do curso de Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes, em Lisboa, que abandonou no final do ano lectivo. Pouco tempo depois dedicou-se ao desenho de publicidade, artística e decorativa, e começa a trabalhar para a E.T.P. (Estúdio Técnico de Publicidade), onde desenhou cartazes, logótipos e montras. Na altura em que começou a frequentar A Brasileira do Chiado e O Café do Chiado, foi alvo de várias influências artísticas, e por volta de 1943 entra num período expressionista, onde realizou um conjunto de desenhos a carvão sobre papel. Contudo o seu estilo não estava completamente definido, e em 1945 Vespeira inicia uma nova vertente, no neo-realismo, sendo um dos principais protagonistas deste movimento em Portugal, produzindo uma das suas obras mais conhecidas, Apertado pela Fome, com a qual participou na 1ª Exposição Geral de Artes Plásticas, na SNBA (Sociedade Nacional de Belas-Artes), em 1946. No ano seguinte volta a expor os seus trabalhos na 2ª Exposição Geral de Artes Plásticas. Ainda em 1947 é um dos fundadores do Grupo Surrealista Português e torna-se professor de desenho na escola Industrial de Afonso Domingues, até 1948. Em 1948 Vespeira contribui com 3 desenhos para a execução de Cadavre Exquis, e em Janeiro de 1949 expõe 15 trabalhos na 1ª Exposição Surrealista. Neste mesmo ano inicia uma segunda fase surrealista, orientada para o abstraccionismo, com influência da dança flamenga, onde os ritmos da música e da dança inspiram as representações e onde o surrealismo de Vespeira conhece o seu fim. Realiza a sua primeira exposição individual em 1952, juntamente com Fernando Azevedo e Fernando Lemos, onde a sua pintura atinge uma grande qualidade, com “composições espectaculares”. No ano seguinte, depois das composições realizadas, desenvolveu pesquisas no campo do abstraccionismo geométrico. Em 1953, Vespeira ganha o Prémio da Jovem Pintura e é escolhido para representar Portugal na II e na IV Bienal de Arte Moderna. No ano que se seguiu, participou no 1º Salão de Arte Abstracta, promovido pela Galeria de Março, contudo terá sido uma experiência negativa pois após a exposição Vespeira terá destruído as obras. Nos anos que se seguiram, é influenciado pelo Jazz, que caracterizou os seus traços abstractos e livres. Participa na IV Mostra Internazionale de Bianco e Nero em Lugano, Itália (1956) e no mesmo ano ganha o prémio Hot Clube de Portugal, expondo no 1º Salão “O Jazz visto por Artistas Modernos”. No ano de 1957, recebe o prémio “Columbano” e participa na 1ª Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, na SNBA, onde apresenta diversos desenhos que mostram a sua vertente abstracta. Em 1959, Marcelino Vespeira dá valor a uma fusão espacial de conjunto, e enaltece o espaço elástico. Ainda neste mesmo ano participou na revista Colóquio, na área da publicação, e após a morte de Bernardo Marques, seu director, passou a desempenhar o cargo de director gráfico, entre 1962 e 1966. Nos anos que se seguiram notou-se nas suas obras uma grande inspiração nas simetrias da natureza, e uma grande intensidade cromática, aproximando as suas obras à Pop Art. Os anos 60 foram feitos de revivalismo do surrealismo já experimentado nos anos 50, que termina em 1971. Em 1974 cria o famoso símbolo do MFA – Movimento das Forças Armadas, devido à sua resistência ao Estado Novo. É também autor de diversos cartazes que surgiram no contexto da revolução. Em sua honra, a autarquia do Montijo cria em 1985 o Prémio Vespeira. Em 1989 pinta o seu último óleo, Fontela, e devido a uma doença grave é obrigado a colocar a sua paixão de lado. Passados onze anos ganha o “Prémio AICA”. Ao longo da sua carreira, Vespeira colaborou em diversos publicações, sendo de entre o Diário de Lisboa, Unicórnio, Tricórnio, Tetracórnio, Seara Nova e Vértice uma delas o Jornal A Tarde (1945), onde publicou a Carta Aberta aos Pintores Portugueses, onde defendia uma arte útil. Foi inspirado ao longo do seu percurso artístico pelas vivências moçambicanas, pela forte ligação com a Natureza, pelo contacto com tradições populares, ciganas e rituais religiosos. Todas as criações produzidas por Vespeira fazem dele “um dos mais importantes pintores da “terceira geração” da arte moderna portuguesa”, sendo notável a sua versatilidade e o facto de se ter destacado em todas as vertentes pelas quais passou. Faleceu a 22 de Fevereiro de 2002.
Obras de Vespeira