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Pedro Guedes

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  • Pedro Guedes
Pedro Guedes, somente assim conhecido, nasceu em Macau em 1874 e veio ainda em criança viver para Portugal, o seu percurso educativo passou pela Casa Pia e mais tarde pela Escola de Belas-Artes em Lisboa, nas quais chegou ao cargo de professor e docente respectivamente, datados nos anos 30. Sendo assim, este está profundamente ligado à história da Sociedade Nacional de Belas-Artes, à qual passou grande parte da sua carreira, sendo até um dos seus fundadores. Este artista esteve bastante activo nos salões entre 1901 e 1957, sendo os seus trabalhos à base da pintura a óleo, aguarela e desenho. Assim, ao longo deste período foi participando assiduamente nestes eventos, sendo distinguido até com menções honrosas em aguarelas e em óleo (1917), mais tarde recebeu a 3ªa medalha em pastel (1923), a 2ª medalha em pintura (1931) e a 1ª medalha em desenho em 1945. Neste espaço de tempo chegou a ser membro do corpo directivo, em 1921 e bibliotecário entre 1950 e 1958. Outra vertente à qual o artista se dedicou muito foi o retrato, da qual este executou numerosas obras, entre elas está o retrato do professor Simões Raposo, exposto no salão da primavera em 1929 e o retrato da sua mulher em óleo sobre tela, denotando-se assim o auge desta sua parte da carreira nos anos 30. Mais tarde em 1945, com a ausência dos grandes mestres desta arte, que entretanto haviam falecido e com as mudanças socioeconómicas do regime de então, o retrato passou para segundo plano. Apesar disto, Pedro Guedes manteve a sua fidelidade a esta tradição até 1958 tendo feito entre inúmeras obras, o retrato do poeta Armando Anjos (1953) e do Coleccionador, com um estudo a lápis datado de 1954 no salão de Inverno. Foi também pintor de tipos familiares, sociais e populares, a óleo e aguarela, estando neles bastante visível o seu inconfundível estilo pitoresco oitocentista. Um bom exemplo disso é a obra “a Pastorinha Saloia no salão de primavera em 1956. Pedro Guedes sempre teve como género de eleição uma série de estudos em aguarela, pastel e desenho que mostram o seu interesse pela natureza e a imagem que ela projecta. Como exemplo, este designer inspirou-se nos pinheiros da Ermida dos Jerónimos, da vista que tinha para o monte de S. Bartolomeu na Nazaré, a árvore e o portão mais próximos da sua casa na Rua Mouzinho da Silveira em Lisboa, algumas vistas e, Sintra entre outros. Em conjunto com estes estudos da natureza, a pintura a óleo (com óleo e aguarela), surgia com uma grande projecção, sendo integrada na tradição de ar-livrista, formando composições harmoniosas baseadas em verdes e castanhos, representando a ribeira d’Alge que fica perto de Avô, e que representa toda a visão que se tem, incluindo algumas casas representadas a branco, cor da cal. Nos anos 40 e 50, Pedro Guedes, mostrou as suas experiências nos Salões da Sociedade, incluindo naturezas-mortas e pinturas de flores. Este género foi adoptado por vários artistas, incluindo as pintoras Alda Machado Santos e Eduarda Lapa, e alguns pintores como Machado Luz, Mário Reis, Silva Lino e Ventura Moutinho, entre muitos outros. Estas naturezas-mortas representadas por Pedro Guedes não eram elementos decorativos banais, mas sim objectos seus, em grande com motivos florais e objectos colocados em cima duma mesa, como os seus óculos “Os meus óculos”, livros “Coisas antigas”, papeis, tinteiros. Mas Pedro Guedes não se dedicou apenas às pinturas anteriormente referidas. Criou também pinturas decorativas, e através deste projecto inscreveu-se para o restauro do Palácio da Brejoeira, e realizou pinturas para o Chalé de Gonzaga Ferreira nas Mercês, e ainda decorações simples mas alegres representado crianças e os seus jogos, para o Instituto Dr. António Aurélio da Costa Ferreira que integrava um infantário e uma escola. A obra gráfica de Pedro Guedes onde se inclui o ex-líbris da Sociedade Nacional de Belas Artes, inclui selos, ilustrações para capas de livros, entre outros. Por fim, salienta-se a realização de cartazes, principalmente nos anos 20 e 30, onde ensaiou novos tipos de linguagem, desde a arte nova ao modernismo da altura. Estes elementos verificam-se nos cartazes promocionais da marca Fiat e da promoção turística da Figueira da Foz, e em outros cartazes, como os do Nitrato do Chile, onde também utiliza valores naturalistas.
Obras de Pedro Guedes