AUTOR

Fred Kradolfer

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  • Fred Kradolfer
Fred Kradolfer, nascido a 12 de Junho de 1903 em Zurique, chegou a Portugal em 1924, onde cedo se tornou mestre nas artes gráficas. Com todo seu plurismo formal bauhausiano de rigor geométrico, revolucionou as artes gráficas em Portugal usando a sua criatividade em diversos meios, desde o cartaz ao vitral, da cerâmica aos anúncios luminosos. Trabalhou com artistas consagrados, participou em várias exposições internacionais, como outras exposições ligadas ao seu carácter artístico multifacetado, levando-o a ser distinguido com vários prémios ao longo da sua carreira, que viria a terminar em 1968 com a sua morte. Fred Kradolfer, artista Suíço, frequentou o curso de ourivesaria e conzelagem na Escola de Artes Aplicadas em Zurique, em Berlim, o curso de Artes Gráficas na Escola de Belas-Artes, assim como a Academia de Munique. Em 1922 passou por Paris, onde trabalhou como decorador de montras, de seguida por Roterdão,e em 1923 por Bruxelas, onde trabalhou como pintor de automóveis (Ford). Após deambulações pela Europa, chega assim a Portugal em 1924, onde conheceu Bernardo Marques e José Miguéis, que o apresentaram a Jorge Segurado e a Carlos Ramos. estes deram-lhe trabalho num atelier, onde viria a desenvolver uma técnica própria de guachar. Os seus primeiros trabalhos gráficos foram para Casa Domingos & Lavadinho e para a Companhia da Costa do Sol. No ano de 1927 Kradolfer começa a trabalhar para o Instituto Pesseur. Fred possuía domínio total das técnicas gráficas e a perspectiva estética adequada a cada caso. Por esta altura em Portugal não existia qualquer organização ou directrizes estéticas, pois não existia cultura e ducação para compreender as novas correntes estéticas. Kradolfer é assim como que o expoente máximo de uma segunda geração de artistas, trazendo novos conhecimentos graficos e uma nova noção de grafismo inovadora. No ano seguinte Fred participa na Exposição Indústrial Médico-Cirurgica. Com tais capacidades e ao juntar-se ao Arta, viria a revolucionar as artes gráficas e a publicidade com as suas qualidades técnicas excepcionais e um gosto estético na resolução de cada problema. Kradolfer realizou um trabalho notável, e exemplo disso são os serviços gráficos que prestou à Bertrand ou à Nestlé. Foi nesta agência que surgiram assim cartazes, rótulos e “stands” comerciais que mostram claramente que a publicidade deixa der ser um mero relatório passando assim a transformar-se num dialogo imediato e estético. No ano de 1931, Fred Kradolfer, criou um cartaz turístico para a cidade de Espinho. Mais tarde decidiu aliar-se a António Ferro, um modernista que promovia o “bom gosto” e as potencialidades nacionais, formando assim uma equipa com Bernardo Marques, José Rocha, Carlos Botelho e Emmérico. Equipa esta que teve um papel importante nas Exposições Internacionais. Em 1930 participou na Exposição de Luz e Electricidade Aplicada ao Lar onde foi responsável pela produção de painéis para o stand da Phillips. No ano seguinte participou também na elaboração da parte gráfica para a Exposição Colonial de Paris, realizada em Paris, no ano de 1931. No ano de 1935, juntamente com Bernardo Marques, obtém um papel importante na decoração dos pavilhões das Festas de Lisboa desse ano. Em 1937, Kradolfer liderou esta equipa na decoração do pavilhão português na Exposição Internacional de Paris, uma das mais notáveis realizações plásticas da década. No mesmo ano pintou, novamente com a ajuda de Bernardo Marques, os cenários para o “Thátre des Champs-Élysées” (espetáculo de folclore) e decorou os interiores do pavilhão português na Exposição Histórica da Ocupação no século XIX. Participou ainda na Exposição Internacional de Nova York, onde decorou o interior da sala de honra do Pavilhão português, e na de São Francisco em 1939 e ainda na Exposição do Mundo Português, onde saíram algumas das suas melhores obras. É na década de trinta que podemos presenciar o auge da sua carreira. Contudo, Kradolfer, também realizou, ao longo de décadas de trabalho, não só magnificas ilustrações e capas de livros, como as capas para a colecção “ Novelas Inquérito”, como também trabalhou na tapeceria e pintura com guaches. Em 1952, Kradolfer reproduziu o painél de azulejos da cidade de Lisboa para o jardim S. Pedro de Alcantra. No mesmo ano, mais propriamente no mês de Maio, foi elogiado pela revista “Arquitectura” pelo seu excelente trabalho decorativo nas montras de Lisboa. Na década de 60, Fred Kradolfer teve um papel importante a nível de azulejaria e decoração destacando-se os trabalhos para o Cinema Europa, para a Reitoria da Universidade de Lisboa e para o Casino do Estoril. Coube a este artista no ano de 1962, no dia 8 de Novembro, a reprodução de alguns dos seus trabalhos no Bielnal Internacional de Tapeçaria em Lousanne, Suiça. Na ordem do catálogo da Bienal, Fred Kradolfer, apresentou o seu estilo de larga fantasia e sentido decorativo na tapeçaria, justificando assim a sua presença entre os portugueses eleitos no ressurgimento contemporâneo dessa modalidade. Desta forma, Kradolfer, expôs trabalhos como os “Jardins de Tivoli”. Um ano depois, no ano de 1968, este foi condecorado com o prémio “Diário de Notícias”, seguindo-se a artistas como Fidelino Figueiredo e Almada Negreiros. No dia 5 de Junho do mesmo ano, é editado neste jornal um artigo sobre este artista onde é destacada a sua biografia e o seu vasto percurso a nível artístico. Seguiu-se o Diário Popular, onde este é novamente homenageado. O artigo abordava principalmente as suas caractéristicas como artista, realçando a sua polivalência bem como a sua importância. Fred Kradolfer, após estar ausente um largo período de tempo, reaparece em várias exposições de nome, destacando-se “A exposição de Guaches” no Palácio da Foz, no ano de 1967, onde apresenta vinte e cinco guaches intituladas “Coisas do Mar”. Nesta exposição é de notar a sua capacidade de inovação, pois este mostra-nos assim as ‘coisas do mar’, que todos as encontramos, de forma bela e deslusbrante, onde o figurativo dá a mão ao abstrato, a fim de que as consigamos olhar e ver o seu verdadeiro todo. Foi assim um importante acontecimento e uma grande e serena lição no campo das Artes Plásticas. No mesmo ano, Fred participa ainda numa exposição na Galeira de Archote.
Obras de Fred Kradolfer