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Raúl Cunca

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  • Raúl Cunca
Desde cedo, interessado pelo estudo do design, Raúl Cunca ingressa na Escola de Artes Decorativas António Arroio em 1977, altura em que o design começava a consolidar-se em Portugal, acabando o curso de equipamento e interiores com 19 anos. A sua formação continua na Faculdade de Belas Artes em Lisboa, onde frequenta a licenciatura em Design de Equipamento, terminando em 1989 com mérito de bolseiro da Gulbenkian, e realizando posteriormente um mestrado em design industrial na Domus Academy de Milão e mais recentemente o doutoramento, novamente na Faculdade de Belas Artes (publica a tese Territórios Hibridos). Durante a sua passagem por Itália desenvolve projectos com designers de renome como Paolo Deganello, Isao Hosoe ou Andrea Branzi abordando a problemática do design híbrido e mobiliário desdobrável, o que vai estar depois fundamentado na sua tese Villae Hibrida: Plaiin Ofice e Satélite Urbano. Paralelamente tem a oportunidade de trabalhar com empresas italianas, nomeadamente para Foscarni e Imel, colaborando com estúdios para a concepção dos seus produtos. Entre 1986 e 1988, trabalha na Fábrica de Louças de Sacavém como designer, reformulando a imagem gráfica da empresa. Após a saída, funda o grupo Ex-Machina juntamente com os seus colegas recém-licenciados Paulo Parra, Marco Santos e José Viana. Este grupo, embora tenha tido uma vida curta, criou objectos como os telefones “Nó” e “Morphos” para o concurso Sony Design Vision’90, colecções de serviços de café e chá – “Do chá ao café” e “Só”-, linhas de mobiliário para empresas – “Deriva” e “Plano”- assim como também projectos de interiores, como é o caso da sede da empresa Latina Europa. Com a Ceramex (1986) em Lisboa, inicia a sua participação regular em exposições, sendo de destacar nesse mesmo ano o convite por parte do ICEP para o concurso “Jovem Designer 86 - Mercado Espanhol”, onde acaba por ganhar o 2º prémio ex-aequo com o candeeiro “Lúmen”. É novamente seleccionado para “Jovem Designer 87 – Silampos”, ganhando desta vez o 1º prémio com a linha de uso doméstico “Calote”. Nos anos seguintes participa em importantes mostras de design nacional, não só em Portugal como também em Espanha, Itália, Bélgica, Alemanha e Japão, onde marca presença na área do design industrial. Dessas exposições distinguem-se a IVª Bienal de Bolonha; a Primeira Exposição Mundial de Design em Nagoya, com o “Português Fólio” (1989); a Europalia 91 – Bruxelas em que apresenta o serviço de chá “Nave”, integrado em “Manufactures - Craetion Portuguaise Contemporaine” e a “Cadeira Cassandra”; “Design Contemporâneo Português – Antologia” em Frankfurt; e está também presente na Primavera do Design em Barcelona desde 1997, altura em que participou na mostra “Objectos Convenientes, Disenõ Portuguès Actual”. Regressando a Portugal, participa no primeiro Fórum de Design na FIL e integra o projecto “Lisboa Reabilitação Urbana”, coordenando a exposição em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, resultando daí uma publicação com o mesmo título. Raúl Cunca passa a colaborar com a editora Proto Design a partir de 1995, desenvolvendo peças para os projectos “Ultra-Luz” desse ano, e “Terra” dois anos mais tarde. Ambas as propostas foram lançadas a mais designers e consistiam em produzir objectos de iluminação com materiais estipulados, criando assim o candeeiro “Lampião” (Ultra-luz) e o “Tira Me Su” (Terra). Toda esta obra foi exposta em diversas feiras de design e relatada em revistas nacionais e internacionais, constituído um forte impulsionador para a promoção do design português. Para além da Proto Design, contribuiu com candeeiros e reflectores para a empresa Brain Box, na Alemanha. Em 1999 integra a comissão de autoria do projecto “Meeting Point” da primeira edição da Bienal de Design “Experimenta Design”, fazendo também parte dos outros acontecimentos que se realizaram neste âmbito: “Experimentáveis ou Experimentais?” e “Essentials Deluxe”, ambos em Lisboa. Participa igualmente na segunda edição, “Experimenta Design2001”, nas mostras “Reinventar a Matéria”, no Porto, “Design Operandi” e “A Casa do Coleccionador”, em Lisboa. Entre estas duas exposições é seleccionado para o concurso de “Mobiliário Urbano para a cidade de Aveiro”, acabando por ser o seu projecto “Sabbia” o escolhido pela Câmara Municipal e o Centro Português de Design. Raúl Cunca foi um dos designers que mais contribuiu para o reconhecimento do Design Português, dando-lhe visibilidade internacional ao participar em importantes exposições como a Bienal Internacional de Design de Saint-Étenne em França (2002) ou mostras exclusivamente portuguesas como “Sinne+5 Design aus Portugal” em Berlim e “Portugal2001” em S. Francisco. Os objectos que projectou têm em comum características de versatilidade e adaptabilidade aos espaços e ao utilizador, podendo ter mais do que uma função, como é exemplo o banco de cortiça realizado no âmbito do evento “Significados da Matéria do Design” – Sus Design. Actualmente continua a dar aulas na Faculdade de Belas Artes, actividade que iniciou em 1994, sendo o coordenador do mestrado em design de equipamento, e é também professor do curso de design de interiores e equipamento no instituto politécnico de Castelo Branco.
Obras de Raúl Cunca