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Emmérico Nunes

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  • Emmérico Nunes
Emmérico Nunes nasce a 6 de Janeiro de 1888 em Lisboa. Desde pequeno demonstra uma grande intuição artística. Ainda criança, “edita” dois semanários com a ajuda de um copiógrafo: “Risota”, com um dos seus primos, e mais tarde, “Folhas Volantes”. O seu pai, porém, opunha-se, preferindo que o filho acabasse o curso comercial e se dedicasse depois à contabilidade, para poder trabalhar com ele no escritório. Porém, depois de muita insistência, acabou por matriculá-lo na Escola de Belas-Artes de Lisboa. No seu tempo livre, pintava e fazia caricaturas. Aos 17 anos, o seu pai decidiu levar os seus trabalhos ao atelier do mestre Malhoa, e este recomendou-o a enviar o filho para Paris, já que lá aprenderia muito mais depressa. Convencido das suas capacidades, o pai de Emmérico Nunes decide mandá-lo para Paris em 1906. Lá, este estuda na Académie Julien. Depois de passar por outros professores e ateliers, Emmérico parte, em 1911, para Regensburg com a mãe (onde passam férias). Em Setembro, a sua mãe volta a Portugal, e Emérico fica em Munique. Lá procura revistas que se possam interessar pelo seu trabalho, e acaba por ser contratado para colaborar no Meggendorfer Blätter, um conceituado semanário humorístico que costumava ler já em criança. Em 1914, com o eclodir da I Guerra Mundial, apesar de não querer sair de Munique (e de os editores lhe pedirem para ficar), Emmérico Nunes acaba por partir para a Suiça aquando da tomada de parte activa de Portugal do lado dos aliados. Instala-se em Zurique, onde permanece até ao final da guerra. Enquanto isso, envia frequentemente os seus desenhos para Munique e expõe em Kunsthaus, onde lhe compram vários trabalhos. Em 1918 volta a Portugal, e dois anos depois casa com Clotilde Edwardes Pidwell, em Sines. Terminada a guerra, a firma Schreider (do seminário Meggendorfer Blätter) entra em contacto, insistindo no seu regresso. Porém, dado desconhecer as condições de vida em Munique depois da guerra, fica relutante quanto a partir para lá com a sua mulher. Em ocasião de uma exposição de humoristas espanhóis (em que estes convidavam a participação de portugueses), organizada por D. José Francès, viaja para Madrid. Volta para Lisboa, onde não encontra trabalho. Continua a enviar regularmente trabalhos para Munique. Para retribuir o convite feito pelos espanhóis, organiza, com outros colegas, em Julho de 1920 uma exposição no salão do Teatro de S. Carlos, à qual concorrem vários artistas espanhóis. Para além de humoristas, expuseram também pintores, escultores, arquitectos e ceramistas. A exposição foi um êxito, tanto a nível artístico como comercial. Como não encontrava, de todo, trabalho em Portugal, decide voltar para Munique, ainda que lhe custasse deixar a mulher. Lá permanece, de 1920 a 1921, altura em que volta a Portugal para visitar a sua mulher e a sua filha, que nasce entretanto. De cá continua a enviar ininterruptamente trabalhos para a Meggendorfer e para a Fliegende Blätter, que entretanto tinha sido adquirida pela casa editora F. J. Schreiber. Trabalha durante pouco tempo como dactilógrafo numa casa comercial em Lisboa, dado o trabalho ser pouco e o dinheiro que ganhava nos semanários alemães não ser suficiente devido à inflacção. Colabora depois nas revistas ABC, ABCzinho, ABC a Rir e Senhor Doutor, a pedido de Mimon Anahory, ilustrações que, segundo ele, eram “muito mal pagas”. Realiza também alguns trabalhos publicitários para um atelier de Artes Gráficas em Berna (Atelier Hauser). Concorre em Lisboa a vários concursos de cartazes, ilustra livros para a “Biblioteca dos Pequeninos” da Empressa Nacional de Publicidade e colabora num semanário de Francisco Valença, “O Espectro”, ainda que por pouco tempo. Envia frequentemente trabalhos para a Sociedade Nacional de Belas-Artes, mas nada vende. Em 1924 os seus desenhos publicitários começam a ter algum sucesso. De Munique, continuam a insistir no seu regresso, dizendo que os seus desenhos “começavam a ressentir-se do ambiente português e a perder o carácter germânico que convinha manter na colaboração no Meggendorfer e no Fliegende”. Assim, nesse ano, volta para a Alemanha, tentando fixar-se e trazer para lá a mulher e a filha. Porém, o movimento nazi começa a ganhar força e Emmérico volta para Portugal no outono desse mesmo ano. Continua a remeter pontualmente os seus desenhos para a casa editora. Em 1926 aceita, embora contrariado, o lugar de desenhador na Secção de Publicidade da Vacuum, dado que a casa editora em Munique lhe tinha comunicado a impossibilidade de continuar a aceitar a sua colaboração dado a situação política. Participa também na “Ilustração” e “Magazine Bertrand”, edições da Livraria Bertrand, que mantém até 1928. Em 1930, com uma operação a uma apendicite que não corre bem, a sua saúde começa a mostrar sinais de fragilidade. Em consequência da doença prolongada, perde o cargo na Vacuum. Em 1932 consegue arranjar um trabalho de desenhador na Secção de Publicidade da Companhia Industrial de Portugal e Colónias. Ainda nesse ano, o “Zuricher Illustrierte Zeitung”, de Zurique pede-lhe a colaboração para alguns números, e ainda para um semanário infantil, “Der Spatz”. A convite do irmão, passa dois meses na Holanda, onde consegue obter a colaboração no suplemento semanal do “Haagscher Courant”. A pedido da Vacuum, volta ao seu posto de desenhador na secção de publicidade. Em 1937 é convidado por António Ferro e Jorge Segurado a fazer parte do grupo de decoradores para o pavilhão português na Exposição de Paris. Dois anos depois trabalha para o pavilhão português na Exposição de Nova Iorque, onde fica de Fevereiro a Maio. Ainda com o mesmo grupo de colegas (Bernardo Marques, Tom, Botelho, Fred Kradolfer, José Rocha) trabalha ainda na Exposição do Mundo Português, em Belém. Juntamente com os seus colegas, recebe a comenda de Oficialato da Ordem de Cristo pelo então presidente da República, general Óscar Carmona. Por necessidade, continua na Portugal e Colónias até 1947, onde desenha litografias durante 6 anos. De facto, Emmérico sempre sentiu grandes dificuldades em marcar o seu trabalho em território nacional: “A minha vida foi uma luta constante, persistente. Iniciei a minha carreira de artista com enorme facilidade e êxito. Fui talvez dos artistas do meu tempo o que deixa maior obra como desenhador humorístico no estrangeiro. Creio que se não vingasse o movimento Nazi na Alemana, com todas as suas perseguições e intolerâncias, eu nunca teria deixado Munique. Ali teria ficado definitivamente continuando a minha carreira de artista com maior êxito do que no meu país. O que aqui consegui foi à custa de extenuante trabalho, sujeição e sofrimento, tanto de ordem moral como material. Nunca dirigi pedidos a organismos do Estado, fui sempre nesse ponto demasiado escrupuloso e honesto, sendo esta, de facto a única qualidade que reconheço possuir: honesto no trabalho e esforçando-me por o ser também em todos os actos da minha vida.”1 A pedido de Diogo de Macedo, dá aulas de desenho e píntura a alguns dos filhos dos condes de Paris em 1947. Em 1951 é encarregado, pela Agência-Geral do Ultramar, da realização do Pavilhão do Ultramar, na Feira Popular de Lisboa. Recebe do Papa Pio XII a Ordem de S. Silvestre. Nos anos seguintes faz alguns trabalhos de restauração e de propaganda túristica, e expõe na primeira Exposição de Artes Plásticas organizada pela fundação Calouste Gulbenkian. No início da decada de 60, pinta ainda alguns paineis e telas para a Igreja Matriz de Sines, e em 1966 expõe na I Exposição Nacional de Arte promovida pelo Secretariado Nacional da Informação. Morre a 18 de Janeiro de 1968, na sua casa em Sines. 1: NUNES, Emmérico. Centenário do Nascimento (1988), pg. 12
Obras de Emmérico Nunes